Igreja das Lajes acolheu vigília de oração pelas vocações no âmbito da Semana dos Seminários

Três dos seis seminaristas açorianos que estudam no Porto, regressaram à ilha Terceira

Foto: Igreja Açores/HM

A Igreja das Lajes, na ilha Terceira, acolheu esta noite uma vigília de oração pelas vocações, integrada na programação da Semana dos Seminários. O momento de oração reuniu a comunidade local, representantes de várias paróquias e comunidades religiosas, num encontro marcado pelo silêncio, pela adoração e pela oração comunitária pelo dom das vocações, particularmente ao sacerdócio.

A vigília contou com a presença de três dos seis seminaristas da Diocese de Angra que atualmente prosseguem a sua formação no Porto e que, ao longo deste dia, estiveram envolvidos em diversas iniciativas de animação vocacional na ilha Terceira. A sua presença permitiu partilhar com as comunidades o caminho de discernimento e formação que estão a percorrer, dando testemunho da sua vocação e procurando despertar nos mais jovens a abertura à possibilidade de um chamamento de Deus.

Durante o dia, os seminaristas desenvolveram encontros vocacionais com grupos de catequese em diferentes comunidades da ilha, nomeadamente no Seminário de Angra, nos Biscoitos e no Porto Judeu. A jornada incluiu ainda a iniciativa “À descoberta de Angra”, que proporcionou a dois jovens do Pré-Seminário de Ponta Delgada a oportunidade de conhecer melhor a cidade e contactar mais de perto com a realidade da vida do Seminário. Estes jovens acompanharam os seminaristas ao longo desta jornada de partilha e descoberta vocacional.

A vigília constituiu um dos momentos centrais deste dia, proporcionando à comunidade das Lajes uma oportunidade de se reunir em oração e renovar o compromisso de acompanhar aqueles que se sentem chamados ao sacerdócio.

Para o padre Emanuel Valadão, reitor do Seminário, esta iniciativa permitiu renovar a consciência de que a Igreja continua a ser chamada a lançar sementes vocacionais e a acompanhar o seu crescimento. O responsável sublinhou a importância da preparação e da mensagem transmitida ao longo desta semana, considerando que foi lançada “uma semente” que, através do testemunho e do entusiasmo de tantas pessoas, poderá dar fruto.

“Tudo isto ajuda-nos a mostrar que Deus continua a atuar junto dos jovens, e agora também temos de fazer a nossa parte para que a semente frutifique”.

O reitor destacou igualmente o papel de todos aqueles que, direta ou indiretamente, contribuem para que o Seminário continue a ser “uma instituição viva na Igreja e na nossa Diocese”, podendo continuar a dar frutos através do surgimento de novos sacerdotes.

Por sua vez, o padre Nelson Pereira, pároco das lajes e vice-reitor do Seminário considerou que foi uma “grande alegria” para a comunidade das Lajes acolher esta iniciativa.

“A comunidade congregou-se consciente de que a vocação sacerdotal é fundamental na vida da Igreja e de que a comunidade também caminha com o seu pastor”, afirmou.

Destacou ainda o envolvimento dos diferentes movimentos paroquiais e a participação de pessoas vindas de outras paróquias e comunidades religiosas, considerando que foi “um momento muito bonito e feliz para a comunidade”.

Também a Irmã Júlia, das Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, chamou a atenção para a importância da oração pessoal e comunitária no acompanhamento das vocações.

“É uma semente que precisa de oração pessoal e comunitária. Todos juntos sentimos uma força diferente; alimentamos esta semente que o Senhor faz crescer”, referiu.

A religiosa destacou particularmente a experiência proporcionada pela vigília, marcada por um tempo de silêncio, adoração e interiorização pessoal, que permitiu a cada participante viver também a dimensão comunitária da oração.

“As pessoas estão sedentas. Vieram de vários lugares, de várias idades, com muita esperança e a alegria de rezarmos em comum”, observou.

Recorrendo à imagem da semente, a Irmã Júlia alertou ainda para a necessidade de cuidar continuamente das vocações: “Se não tivermos esta raiz bem regada, ela morre”. Sublinhou, neste sentido, a centralidade da Eucaristia, afirmando que “a graça vem pela Eucaristia”.

Recordando a proximidade que, noutros tempos, existia entre as comunidades e os seminaristas, a religiosa manifestou também a sua preocupação com os desafios que hoje se colocam aos jovens no discernimento vocacional.

“A vocação hoje pode ser abafada por muitas coisas”, observou, salientando a importância de permanecer próxima dos seminaristas e daqueles que possam ter deixado adormecer ou esquecido o seu caminho vocacional.

A vigília terminou com um apelo renovado à oração e ao compromisso de toda a comunidade cristã no acompanhamento das vocações.

Este domingo termina a Semana de Oração pelos Seminários que, este ano, teve como lema “Comunidade que reza, Seminário que floresce”.

Na Nota Pastoral para esta semana, o presidente da Comissão Episcopal Para as Vocações e Ministérios apela à participação ativa das comunidades cristãs, em particular das comunidades paroquiais, na formação dos futuros sacerdotes, sublinhando que a oração constitui o primeiro sinal de pertença e de compromisso com os seminários.

O responsável episcopal recorda que, para além do trabalho das equipas formadoras, as comunidades cristãs desempenham um papel fundamental no acompanhamento dos seminaristas e no crescimento das vocações. Neste sentido, considera que a oração não pode ser entendida como uma iniciativa secundária, mas como uma dimensão essencial da vida cristã e da missão da Igreja.

“Comunidade cristã que não reza pelos seus Seminários é uma comunidade ausente e desligada da família geradora de vocações para o sacerdócio”, afirma D. Vitorino Soares, reforçando a necessidade de uma participação comunitária constante e comprometida.

Recorrendo à imagem do semeador, a nota pastoral apresenta a oração como uma semente lançada com perseverança e esperança, mesmo quando não são imediatamente visíveis os seus frutos. O florescimento das vocações, sublinha o presidente da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios, não depende de previsões ou resultados imediatos, mas da confiança no plano de Deus.

A mensagem reconhece ainda que o futuro das vocações poderá não corresponder às expectativas humanas, mas convida os fiéis a confiar no projeto do Senhor, identificado como Jesus, o Bom Pastor e Senhor das ovelhas.

Igreja apela à oração pelas vocações na Semana dos Seminários

Scroll to Top