“Para nós cristãos, não há melhor oferta que se possa fazer a um jovem do que a oração”, afirma Padre Nuno Maiato em vigília de oração em São Roque

Termina este Domingo a Semana dos Seminários sobre o tema: “Comunidade que reza, Seminário que floresce”

Foto: Ouvidoria de Ponta Delgada/Igreja Açores

A importância da oração como força espiritual, presença constante e apoio no discernimento vocacional esteve no centro da vigília de oração realizada esta noite, em São Roque, orientada pelos padres Marco Sérgio Tavares, pároco, e Nuno Maiato, responsável pelo Serviço Diocesano das Vocações e Pré-Seminário.

A iniciativa decorreu no âmbito da Semana dos Seminários, que termina este domingo, subordinada ao tema “Comunidade que reza; Seminário que floresce”, e procurou sensibilizar para a importância da oração pelas vocações e pelos seminaristas.

Durante uma breve alocução depois da proclamação da Palavra de Deus o Padre Nuno Maiato deixou um apelo à valorização da oração, recordando que, muitas vezes, há pessoas que rezam por nós sem que sequer tenhamos consciência disso. Uma “força discreta, mas fundamental”, sobretudo nos momentos de dúvida, dificuldade e discernimento.

“Há muita gente que reza por nós e por vocês todos os dias, em momentos mais marcantes, e nós nem sabemos. Às vezes, esquecemos esta força que é a oração”, afirmou o sacerdote, dirigindo-se particularmente aos jovens presentes.

Para ilustrar a importância desta ligação espiritual, começou por questionar os mais novos: “Na véspera de um teste, já pediram aos avós para fazer uma oração?”. Uma pergunta simples que serviu para recordar como a oração faz parte da vida quotidiana e como tantas pessoas nos acompanham espiritualmente, mesmo sem o sabermos.

O sacerdote partilhou também o seu próprio percurso vocacional, recordando os tempos em que esteve no seminário e as dúvidas que o acompanharam até à decisão de seguir o caminho do sacerdócio.

“Quando estive no seminário, uma das coisas fundamentais, se não a mais importante de todas, foi saber que alguém rezava por mim”, confessou.

O Padre Nuno Maiato reconheceu que nem sempre teve a certeza de que viria a ser padre. Pelo contrário, atravessou momentos de incerteza e chegou a pensar em desistir.

“Eu nunca achei que tinha qualidades para ser padre”, recordou, explicando que a sua caminhada vocacional conheceu várias tentativas e que só à terceira vez decidiu avançar para o seminário, já com 25 anos.

Nesse percurso, destacou a importância das pessoas e das comunidades que o acompanharam através da oração, nomeadamente as Irmãs Clarissas, a comunidade paroquial de Santa Clara, os Romeiros, a Legião de Maria e outros grupos de oração.

“Por várias vezes estive para fazer as malas e regressar a casa. Tinha medo de não conseguir ser um bom padre”, partilhou, sublinhando que foi também a oração dos outros que lhe deu força para continuar e chegar ao dia da ordenação sacerdotal.

“A oração fez com que eu chegasse ao momento da ordenação e saber que havia gente a rezar por mim, a dar-me força”, afirmou.

A partir da sua experiência pessoal, deixou ainda uma reflexão sobre a vocação e a forma como esta se vai descobrindo ao longo da vida.

“Nós não nascemos com cara de padre e somos padres. Isto é uma coisa que vai crescendo”, explicou, recordando que, em jovem, também desejou casar e constituir família e que precisou de tempo para compreender o caminho a que Deus o chamava.

“Deus não escolhe os capacitados; capacita os escolhidos”, recordou, salientando que o importante é estar disponível para escutar o chamamento de Deus, mesmo quando a resposta demora a chegar.

A terminar a Semana dos Seminários, o Padre Nuno Maiato reforçou o apelo à oração comunitária pelas vocações e pelo florescimento dos seminários, lembrando, contudo, que a oração não deve limitar-se aos momentos de dificuldade nem às vocações sacerdotais.

“Não são só as vocações ao sacerdócio que devem estar no centro da nossa oração, mas a beleza de rezarmos uns pelos outros. Não apenas nos momentos mais difíceis, mas estarmos sempre em oração”, afirmou.

O responsável pelo Serviço Diocesano das Vocações e Pré-Seminário terminou com uma mensagem especialmente dirigida aos jovens, destacando que a oração é um dos maiores gestos de amor e de acompanhamento que lhes pode ser oferecido.

“Se calhar, não há melhor oferta que se possa fazer a um jovem do que a oração, porque é ela que nos torna mais próximos de Deus”, concluiu.

A vigília em São Roque foi, assim, um momento de encontro e reflexão que deu expressão ao tema desta Semana dos Seminários.

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