O aniversário ficará marcado por uma celebração às 18h00 na Sé, presidida pelo bispo de Angra que também assinala o quarto aniversário da sua nomeação como bispo titular da diocese insular

A Diocese de Angra assinala esta terça-feira 492 anos da sua criação, uma data que será celebrada com uma Eucaristia na Sé de Angra, às 18h00, presidida pelo bispo diocesano, D. Armando Esteves Domingues. A efeméride coincide também com o quarto aniversário da nomeação de D. Armando Esteves Domingues como 40.º bispo de Angra, pelo Papa Francisco.
A celebração acontece num momento em que a Diocese se encontra a percorrer um caminho de renovação pastoral que tem como horizonte 2034, ano em que se assinalam cinco séculos da sua criação. Esta caminhada, projetada por D. Armando Esteves Domingues na sua primeira Carta Pastoral, intitulada “Batizados na Esperança”, estrutura-se em três triénios, orientados pela esperança, pela corresponsabilidade e pela construção de uma Igreja mais sinodal e missionária.
O percurso de nove anos está organizado em torno de três grandes etapas: Anúncio (2025-2028), Caridade (2028-2031) e Celebração (2031-2034). A Diocese vive atualmente o segundo ano do primeiro triénio, dedicado ao anúncio, sob o lema “Como chegar à Outra Margem?”.
Na introdução ao projeto pastoral deste ano, o bispo de Angra dirige uma saudação a todo o Povo de Deus e às pessoas de boa vontade que vivem no arquipélago, convocando-as para uma nova etapa do itinerário de renovação até 2034.
D. Armando Esteves Domingues recorda que o primeiro ano pastoral foi dedicado à reflexão interna e à renovação das estruturas sinodais, sob a pergunta “Cristão, que dizes de ti mesmo?”; agora, o desafio é dar um passo em frente e assumir a missão de ir ao encontro de quem vive na outra margem.
“A Igreja só é Igreja quando é missionária”, sublinha o prelado, considerando que o primeiro ano do percurso ficará incompleto se não tiver continuidade numa atitude concreta de saída e encontro com os outros.
O lema deste ano inspira-se na passagem do Evangelho de São Marcos (4, 35-41), em que Jesus convida os discípulos: “Passemos à outra margem”. A travessia do mar da Galileia, em direção a um território desconhecido e habitado por pessoas diferentes, constitui, para o bispo, uma imagem da missão que hoje se coloca à Igreja.
A outra margem representa os afastados, os excluídos, os marginalizados e todos aqueles que, por diferentes razões, deixaram de encontrar na comunidade cristã um espaço de pertença. Mas pode também estar na Igreja, nas famílias em sofrimento, nos ambientes sociais fragilizados, nas comunidades e movimentos eclesiais que perderam a capacidade de se renovar e na vida daqueles que procuram recomeçar o seu caminho de fé.
O projeto pastoral deste ano aponta três passos fundamentais: Conversão, Acolhimento e Missão. O primeiro implica abandonar o comodismo e a acomodação das comunidades, reconhecendo que a fé exige um permanente processo de renovação pessoal e comunitária. O segundo desafia a Igreja a ser próxima, capaz de escutar e acompanhar, sobretudo nos momentos de dor e fragilidade. O terceiro convoca todos os batizados a sair dos espaços habituais e a construir pontes com quem está mais distante.
Na sua reflexão, D. Armando Esteves Domingues insiste numa Igreja que saiba amar antes de julgar, escutar antes de impor e acolher aqueles que chegam com histórias de vida marcadas por feridas e dificuldades. A missão não se limita, assim, a uma deslocação física, mas traduz-se numa atitude de proximidade, empatia e disponibilidade para o encontro.
O bispo reconhece que muitos cristãos se afastaram nos últimos anos ou mantêm uma relação frágil e intermitente com a Igreja, defendendo que só o amor poderá ajudar a sarar essas feridas. Por isso, deixa um apelo à participação de todos, das paróquias aos movimentos, das famílias às instituições de formação e às comunidades educativas, valorizando também os momentos de oração, retiros e aprofundamento espiritual.
“Não esperemos mais; olhemos para a outra margem e vamos”, escreve o prelado, apelando a uma Igreja que não tenha receio de sair ao encontro dos outros e que esteja disponível também para se deixar encontrar.
A diocese insere-se num território onde a identidade católica continua a ter uma expressão particularmente significativa. Segundo o estudo “Um Atlas da Religião em Portugal”, coordenado por Alfredo Teixeira e desenvolvido pelo Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião da Universidade Católica Portuguesa, em colaboração com investigadores do Instituto de Sociologia da Universidade do Porto, os Açores são a região do país com a maior percentagem de população católica.
Com base nos dados dos Censos de 2021, 91,6% dos residentes nos Açores identificam-se como católicos, uma percentagem superior à da Madeira (90,9%) e bastante acima da média nacional, situada nos 80,2%.
Ao nível dos concelhos, Vila Franca do Campo destaca-se entre os municípios mais católicos de Portugal, com 96,3% da população a identificar-se com esta confissão religiosa. Seguem-se, na Região, Nordeste (95,3%), Povoação (95,2%), Santa Cruz da Graciosa (94,9%) e Ribeira Grande (94,3%).
Apesar desta forte presença, o estudo evidencia também sinais de transformação, com uma diminuição da proporção de católicos na maioria dos concelhos açorianos entre 2011 e 2021 e um crescimento da população sem religião e de outras confissões religiosas.