Semana dos Seminários: Pré-seminário de Angra aposta em encontros mensais e acompanhamento dos jovens

“O nosso primeiro grande objetivo é criar uma rede de oração que possa unir todo o nosso arquipélago, toda a nossa diocese, numa oração sistemática, programada, pelas vocações”- Padre Nuno Maiato

Foto: Igreja Açores/Pe. Nuno Maiato

O pré-seminário da Diocese de Angra vai reforçar, este ano pastoral, o acompanhamento dos rapazes que procuram aprofundar a fé e discernir a sua vocação. O programa prevê encontros mensais, em cada ouvidoria de São Miguel e dois acantonamentos, nas férias do Natal e da Páscoa. As novidades são apresentadas no contexto da Semana dos Seminários, que decorre de 1 a 8 de novembro e desafia as comunidades cristãs a olhar para a importância das vocações e da oração por quem é chamado ao sacerdócio.

Esta programação resulta de um trabalho conjunto entre o reitor do Seminário, o diretor espiritual e os delegados da ilha de São Miguel, que se reuniram no início do ano pastoral para definir as atividades e preparar os conteúdos dos encontros.

Segundo o padre Nuno Maiato, assistente espiritual da equipa diocesana da Pastoral das Vocações e responsável diocesano pelo pré-seminário, existe uma vontade de proporcionar um acompanhamento mais consistente aos rapazes que participam nesta experiência.

“Há uma vontade de fazer um acompanhamento melhor, com mais regularidade destes rapazes que vêm ao nosso encontro”, explica.

O programa prevê também a participação dos jovens na Aldeia da Esperança, na Povoação, durante o verão, e no encontro de acólitos da Ouvidoria do Nordeste.

Um caminho de discernimento, sem decisões antecipadas

Com cerca de dez participantes, entre os 12 e os 17 anos, provenientes de várias ouvidorias de São Miguel, o pré-seminário procura proporcionar aos jovens um espaço de formação, oração e reflexão, onde possam conhecer melhor Jesus Cristo e descobrir o caminho a que são chamados. Mais do que preparar futuros seminaristas, a proposta pretende acompanhar cada rapaz no seu percurso pessoal de discernimento, sem decisões antecipadas nem a obrigação de seguir a vida sacerdotal.

O pré-seminário não é uma etapa obrigatória para quem deseja seguir o sacerdócio, nem um espaço destinado a encaminhar todos os participantes para o seminário. É, antes de mais, uma “oportunidade para os rapazes crescerem na fé e descobrirem, com tempo e acompanhamento, a vocação a que são chamados”.

“Não é um tempo de decisões, não tem que levar todos ao sacerdócio e, antes disso, ao seminário, mas é um tempo e um lugar onde esta vocação, a vocação sacerdotal, é também motivo de reflexão”, esclarece o padre Nuno Maiato.

A proposta pretende ajudar cada jovem a colocar questões sobre a sua vida, a relação com Deus e o futuro, num processo que exige disponibilidade para a reflexão pessoal, mas também a partilha e o acompanhamento em grupo.

O responsável diocesano recorre à imagem da pesca para explicar esta missão. Mais do que procurar números ou reunir muitos participantes, importa estar atento aos sinais que surgem nas paróquias e reconhecer os rapazes que sentem necessidade de fazer este caminho.

“Não estamos capazes e, se calhar, também não nos interessa pescar muita gente”, afirma, sublinhando que o essencial é que os jovens reconheçam, no meio das muitas solicitações e propostas da sociedade e da própria Igreja, a importância de reservar tempo para o discernimento.

As razões que levam os rapazes ao pré-seminário são diversas. Para alguns, a participação nasce de uma inquietação interior, de uma pergunta sobre a possibilidade de serem chamados ao sacerdócio. Para outros, sobretudo os mais novos, começa pela curiosidade e pela descoberta de uma experiência diferente.

Os encontros proporcionam um ambiente de grupo mais pequeno, com uma programação própria, que integra momentos de reflexão, oração e convívio.

“Um encontro com um grupo pequeno, com uma agenda diferente, com um projeto, uma planificação de reflexão, de oração, de convívio, penso que continua a ser uma proposta muito diferente de todas as outras propostas”, considera o sacerdote.

É essa diferença que pode tornar o pré-seminário um espaço significativo no quotidiano dos jovens, permitindo-lhes encontrar um tempo de silêncio, partilha e aprofundamento da fé.

A conciliação de horários, contudo, nem sempre é fácil. As atividades escolares, desportivas e outras ocupações acabam, por vezes, por coincidir com as datas dos encontros, dificultando a presença de todos. Uma realidade que, reconhece o padre Nuno Maiato, atravessa hoje a vida dos jovens e das próprias comunidades.

Na Semana dos Seminários, a reflexão sobre o futuro das vocações sacerdotais e a importância da oração ganha particular relevância. Na Diocese de Angra, este é também um dos desafios identificados pela equipa diocesana de apoio às vocações, criada no verão passado.

O padre Nuno Maiato considera que os párocos estão, de um modo geral, disponíveis para acompanhar os rapazes que manifestam vontade de aprofundar a sua vocação. Quando existe essa necessidade, a proposta do pré-seminário é apresentada como possibilidade de acompanhamento.

No entanto, admite que “é necessário fazer mais” para suscitar a questão vocacional junto dos jovens que ainda não manifestaram essa inquietação.

“Todos nós, e contra mim falo, como pároco, temos descuidado um pouco este aspecto”, reconhece.

A par desta realidade, identifica uma perda da cultura de oração pelas vocações nas comunidades cristãs, situação que a nova equipa diocesana pretende ajudar a inverter.

Uma das suas principais prioridades é precisamente despertar, em cada batizado e nas comunidades em geral, uma maior consciência da importância de rezar por todas as vocações.

“O nosso primeiro grande objetivo é criar uma rede de oração que possa unir todo o nosso arquipélago, toda a nossa diocese, numa oração sistemática, programada, pelas vocações”, explica.

A intenção é que a oração pelas vocações deixe de estar limitada a momentos específicos do calendário pastoral e passe a fazer parte da vida regular das paróquias e das comunidades.

O reforço do acompanhamento em São Miguel é apenas uma parte do trabalho que a equipa diocesana pretende desenvolver. Até ao final do ano, o responsável pelo pré-seminário, em articulação com a equipa diocesana, pretende reunir com os representantes das restantes ouvidorias, para encontrar um modelo de acompanhamento adaptado às outras ilhas.

O padre Nuno Maiato reconhece que a realidade geográfica do arquipélago, o número de jovens e as especificidades de cada comunidade exigem respostas diferentes, não sendo possível replicar em todas as ilhas o modelo definido para São Miguel.

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