
O Papa iniciou hoje uma viagem apostólica de 12 dias ao Uruguai, Argentina e Peru, num périplo de mais de 31 mil quilómetros que marca o seu regresso à América Latina.
Depois de sair do Pátio de São Dâmaso, no Vaticano, e de se deslocar de automóvel até ao Aeroporto Internacional Leonardo da Vinci, em Fiumicino, o Papa partiu às 07h05 locais (06h05 em Lisboa) a bordo de um avião A330-900 da companhia ITA Airways.
O voo inaugural deste périplo sul-americano percorre 11 123 quilómetros ao longo de 13 horas e meia, sobrevoando a Itália, a França, a Argélia, a Mauritânia, o Senegal, o Brasil e o Uruguai.
A aterragem no Aeroporto Internacional de Montevideu-Carrasco ‘General Cesáreo L. Berisso’ está prevista para as 16h30 locais (19h30 em Lisboa), seguindo-se o acolhimento oficial pelo presidente da República Oriental do Uruguai, Yamandú Orsi, e a cerimónia de boas-vindas na Praça da Independência.
“Estou feliz por poder regressar ao continente onde vivi tantos momentos da minha vida”, declarou Leão XIV, numa nota divulgada pela Sala de Imprensa da Santa Sé aquando da confirmação da viagem, menos de duas semanas depois da operação a que o pontífice foi submetido a 13 de outubro, para remoção de um nódulo cancerígeno no pulmão direito.
Na audiência geral desta quarta-feira, o Papa pediu orações para que a visita “fortaleça a fé, renove a esperança, reavive o fogo da caridade e seja um impulso para continuarmos a anunciar o Evangelho com alegria”.
O percurso desta viagem apostólica soma 12 ligações de avião e duas de helicóptero em 14 localidades, prevendo 36 intervenções em espanhol.
A etapa no Uruguai decorre até domingo sob o lema ‘Anuncio-vos uma grande alegria’, levando um Papa quase 40 anos após São João Paulo II ao país mais secularizado da região, onde o núncio apostólico, D. Gianfranco Gallone, alerta para a escassez vocacional e os suicídios juvenis.
No país, Leão XIV usará um papamóvel adaptado por 35 técnicos locais, depois doado à rede escolar ‘Fundação Sophia’, encontrando-se com o presidente Yamandú Orsi, moradores do bairro de Casavalle, universitários e jovens no Estádio Centenário.
Segundo o Missal da viagem, nas Eucaristias em Paysandú, no sábado, e no Santuário da Virgem dos Trinta e Três, em Florida, no domingo, a assembleia vai rezar pelos desempregados, pelos reclusos e pelas vítimas da guerra.
De domingo a quarta-feira, na Argentina, sob o mote ‘Bem-vindos todos, ide e anunciai’, o Papa encontra-se em Buenos Aires com o presidente Javier Milei, homenageia o Papa Francisco, seu antecessor, na Catedral local e reúne-se com vítimas de abusos, trabalhadores, líderes religiosos e reclusos de Devoto.
Além de visitar a obra ‘Don Orione’ em Claypole e a Basílica de Luján, o pontífice celebra na terça-feira em Córdova, onde a oração universal invoca os santos argentinos Cura Brochero, Héctor Valdivielso, Mama Antula e Artémides Zatti pelos pobres, jovens, famílias e doentes.
De 11 a 16 de novembro, sob o lema ‘Abramos o coração’, a visita chega ao Peru, onde Robert Francis Prevost foi missionário agostiniano e bispo de Chiclayo (2015-2023), começando em Lima com a presidente Keiko Fujimori, os bispos e os universitários.
Na sexta-feira e no sábado, Leão XIV regressa a Chiclayo para celebrar em Pimentel, coroar a Imaculada Conceição, ir de helicóptero a Santa Cruz de Succhabamba e encerrar em Zaña o jubileu de São Toríbio de Mogrovejo, rumando no domingo a Cusco.
Também no domingo, em Pucallpa, na Amazónia, a Missa inclui preces nas línguas indígenas shipibo, achuar e asháninka para que a criação seja “libertada da exploração e da procura do lucro”, terminando a visita junto de idosos no Callao e na base de Las Palmas.
O Papa leva quatro rosas de ouro para santuários marianos dos três países, relíquias de São Óscar Romero para Chiclayo e cópias da encíclica ‘Magnifica humanitas’ para as universidades católicas.
A chegada a Roma está prevista para as 10h25 (menos uma em Lisboa) do dia 17 de novembro.
Leão XIV, eleito a 8 de maio de 2025, já visitou a França (25 a 28 de setembro), a República de San Marino (22 de agosto), Espanha (06-12 de junho de 2026), Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial (13-23 de abril de 2026), Mónaco (28 de março de 2026), e a Turquia e o Líbano, com peregrinação a İznik por ocasião do 1700º aniversário do I Concílio de Niceia (27 de novembro-02 de dezembro de 2025).