Vaticano: Papa critica “cultura do desempenho” que paralisa novas gerações

Foto: Vatican Media

O Papa alertou hoje, no Vaticano, para o impacto da competitividade e do isolamento digital nas novas gerações, ao abrir um congresso internacional sobre educação.

“Não são poucos os jovens que se sentem como paralisados pelo medo de errar, de não estar à altura, de serem mal interpretados, de não corresponder às expectativas. Vivemos numa cultura do desempenho que nos coloca continuamente em comparação e nos classifica de forma, por vezes, implacável”, declarou Leão XIV, perante várias centenas de participantes, reunidos no Auditório Paulo VI.

Falando a professores, capelães e agentes educativos de vários países, incluindo Portugal, o pontífice apontou o dedo a uma “meritocracia mal entendida”, que acaba por “não respeitar as pessoas”.

“Por isso, muitos acabam por desistir antes mesmo de tentar”, advertiu.

O discurso, publicado pela sala de imprensa da Santa Sé, identificou sinais de mal-estar existencial nas novas gerações, marcadas por “famílias feridas, solidões digitais, sentimentos de inadequação ou de medo perante um futuro que parece incerto”, percorrendo os corredores das instituições educativas em aparente anonimato.

Para contrariar este isolamento, Leão XIV defendeu que as escolas e universidades católicas sejam um “lar” onde o primeiro anúncio do Evangelho se faz pelo acolhimento de “alguém que te olha nos olhos, que se lembra do teu nome, que repara na tua ausência, que se alegra com o teu regresso”.

“A coragem nasce de um pacto de confiança: da experiência de alguém que acredita em ti antes de tu acreditares em ti mesmo”, sustentou o Papa, exortando os educadores a formarem “protagonistas de uma nova forma de viver o mundo, construtores de fraternidade, de uma sociedade mais justa”.

Citando a sua encíclica ‘Magnifica humanitas’, o pontífice pediu às instituições académicas que acompanhem a maturação paciente das ideias e protejam os estudantes “daquela sedução subtil que faz parecer inútil o pensamento humano precisamente quando este é mais necessário”.

“Ajudem os jovens que encontram a serem protagonistas de uma nova forma de viver o mundo, construtores de fraternidade, de uma sociedade mais justa.”

Leão XIV apelou ainda a uma “educação do coração” capaz de chegar ao desejo de amar escondido debaixo da armadura dos adolescentes, frisando que “o serviço aos pobres, o voluntariado, o cuidado da criação não são atividades acessórias, mas espaços onde o coração aprende a expandir-se”.

Contra “falsos mestres e mensagens enganosas” que prometem respostas rápidas às dúvidas juvenis, o Papa convidou os responsáveis católicos a caminharem ao lado dos estudantes na busca comum da verdade e na articulação entre “a fé e a razão”.

O Congresso Internacional da Pastoral Escolar e Universitária decorre até sexta-feira no Vaticano, organizado pelo Dicastério para a Cultura e a Educação, organismo liderado pelo cardeal português D. José Tolentino Mendonça, que conduziu a sessão de abertura.

Subordinado ao tema ‘Desenhar Novos Mapas de Esperança’ e inspirado na carta apostólica homónima publicada por Leão XIV em outubro de 2025, o encontro aborda os eixos da interioridade, da digitalização e da paz, incluindo no programa a conferência ‘Educar para a paz’, proferida pelo antigo presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa.

(Com Ecclesia)

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