
O Papa alertou hoje, no Vaticano, para o risco de a humanidade delegar aos algoritmos decisões que competem “exclusivamente à consciência humana”.
“O desenvolvimento tecnológico, a difusão dos meios de comunicação em massa e das redes sociais, bem como o recurso cada vez maior à inteligência artificial, abrem novas possibilidades, derrubando barreiras e distâncias; por outro lado, as relações tendem a tornar-se cada vez menos pessoais”, advertiu Leão XIV, perante os peregrinos reunidos na Praça de São Pedro para participarem a Audiência Geral de quarta-feira.
O pontífice exortou a comunidade católica a envolver-se ativamente para que “as relações sociais tenham um significado real e uma profundidade pessoal”, travando o isolamento.
A reflexão sublinhou que a diversidade de povos não deve ser considerada “um perigo ou uma ameaça”, mas um “potencial de enriquecimento e de crescimento”.
Leão XIV falava sobre a constituição pastoral ‘Gaudium et spes’, do Concílio Vaticano II, para reiterar o imperativo inegociável do “respeito pela pessoa humana”.
O texto citado pelo Papa condena “quanto se opõe à vida”, nomeadamente “toda a espécie de homicídio, genocídio, aborto, eutanásia e suicídio voluntário”.
As violações à dignidade humana referem-se ainda às prisões arbitrárias, ao tráfico humano, às “deportações” e às “condições degradantes de trabalho”, em que os trabalhadores são tratados como “meros instrumentos de lucro”.
Leão XIV sublinhou que a obrigação de respeitar a igualdade fundamental dos seres humanos impede qualquer “discriminação” por motivos de “sexo, raça, cor, condição social, língua ou religião”.
A reflexão convidou todos a realizar um discernimento pessoal e comunitário, para “avaliar com responsabilidade os projetos sociais e políticos de hoje, com base nos critérios da dignidade da pessoa humana, da justiça social e da livre participação na construção do bem comum”.
“O futuro da humanidade depende do empenho de cada um em colaborar com Deus e com os irmãos na construção de um mundo mais humano”, apontou o Papa, antes de saudar os vários grupos presentes no Vaticano, incluindo participantes do Brasil e de Portugal.
(Com Ecclesia)
