
O Papa afirmou hoje, no Vaticano, que “o coração da economia é o trabalho”, criticando políticas que levam ao desemprego e à exploração laboral.
“O trabalho nunca pode ser deturpado em detrimento das pessoas, do bem comum ou da criação. O verdadeiro desafio consiste em oferecer a todos oportunidades de valorizar as suas capacidades: não são aceitáveis o desemprego, a exploração e as condições de trabalho que põem em perigo a saúde e a própria vida”, declarou Leão XIV, na audiência geral que decorreu, esta manhã, na Praça de São Pedro.
A intervenção prosseguiu o ciclo de catequeses dedicadas à constituição ‘Gaudium et spes’, do Concílio Vaticano II, defendendo o direito de participação dos trabalhadores as decisões laborais, “inclusive de forma associativa, enfrentando os conflitos através do diálogo e de ações não violentas”.
“A paz constrói-se com base na justiça, no respeito pela lei e no diálogo, e não na violência”, sustentou.
Leão XIV alertou também para o perigo que os desequilíbrios de um desenvolvimento económico “injusto e que não respeita a criação”, sublinhando a urgência de eliminar as discriminações contra os grupos sociais mais vulneráveis e os migrantes.
O Papa desafiou decisores financeiros e poderes públicos a promover o equilíbrio entre o consumo atual e os investimentos para as gerações futuras, segundo “um dos princípios fundamentais do magistério social, o destino universal dos bens da terra”.
Depois de reiterar a autonomia recíproca e a cooperação entre a Igreja e o Estado ao serviço da dignidade humana, Leão XIV encorajou os jovens a comprometerem-se na política e na economia e pediu às comunidades cristãs que relancem “a formação sobre a doutrina social da Igreja”.
“A política que cuida das feridas dos povos e de todos aqueles que sofrem injustiça oferece motivos de esperança para o futuro da humanidade”, apontou.
Nas saudações aos grupos presentes, o pontífice dirigiu-se aos peregrinos de língua portuguesa.
“Peçamos ao Senhor que aqueles que desempenham cargos políticos trabalhem sempre pelo bem comum, buscando salvaguardar o dom da paz. Que Deus vos abençoe”, declarou.
O Papa pediu ainda aos peregrinos que rezem pela sua viagem apostólica ao Uruguai, Argentina e Peru, que inicia na próxima sexta-feira.
“Confio nas vossas orações, para que esta viagem fortaleça a fé, renove a esperança, reavive o fogo da caridade e seja um impulso para continuarmos a anunciar o Evangelho com alegria”, referiu, em espanhol.
Leão XIV dirigiu-se aos responsáveis da Plataforma de Ação ‘Laudato Si’’, após recordar os 70 anos da libertação dos “heroicos” cardeais Stefan Wyszyński, da Polónia, e József Mindszenty, da Hungria.
A intervenção aludiu também às beatificações, no próximo sábado, do franciscano Augusto Rafael Ramírez Monasterio, morto em 1983 na Guatemala, e do sacerdote Francisco González de Córdova e 79 companheiros mártires da perseguição religiosa do século XX em Espanha.
(Com Ecclesia e Vatican News)