Musurgia Ensemble apresenta concerto dedicado à polifonia sacra portuguesa na ilha Terceira

Recolhimento de São Gonçalo acolhe “Concerto Valde honorandus est” que se realiza a 31 de outubro,  no âmbito de uma residência artística e de um projeto de gravação discográfica centrados na música sacra dos séculos XVI e XVII

 

O Musurgia Ensemble apresenta, no próximo dia 31 de outubro, às 18h00, na Igreja do Recolhimento de São Gonçalo, em Angra do Heroísmo, o concerto Valde honorandus est, dedicado à polifonia sacra portuguesa dos séculos XVI e XVII. O projeto, com direção artística e musical de João Francisco Távora, integra uma residência artística na ilha Terceira e um período de gravações discográficas, que decorrerá entre 1 e 3 de novembro.

O programa reúne obras de três compositores de referência da música sacra renascentista: Duarte Lobo (c. 1565–1646), Manuel Cardoso (1566–1650) e Giovanni Pierluigi da Palestrina (c. 1525–1594). A iniciativa tem como ponto de partida dois importantes testemunhos documentais conservados no Arquivo Capitular da Sé de Angra: o Liber Missarum (1621), de Duarte Lobo, e o livro de Magnificat (1613), de Manuel Cardoso.

A presença destes impressos no arquivo da Catedral constitui um testemunho da circulação e receção da polifonia sacra portuguesa nos Açores durante o século XVII, estabelecendo uma ligação entre o património documental da ilha e a interpretação musical contemporânea, segundo uma nota enviada ao sítio Igreja Açores.

A obra central do concerto será a Missa Valde honorandus est, de Duarte Lobo, composta a partir do motete homónimo de Palestrina, igualmente incluído no programa. Associado a São João Apóstolo e Evangelista, cuja festa litúrgica se celebra a 27 de dezembro, o motete constitui o ponto de partida para uma abordagem musical que aproxima dois compositores fundamentais da tradição polifónica europeia, destaca ainda a nota.

O programa inclui ainda o Magnificat octavi toni, de Manuel Cardoso, interpretado em alternância com versos para órgão de Manuel Rodrigues Coelho, numa articulação entre a polifonia vocal e a tradição organística.

Entre 28 e 31 de outubro, o Musurgia Ensemble estará em residência artística no Recolhimento de São Gonçalo, seguindo-se três dias dedicados à gravação discográfica, de 1 a 3 de novembro. O projeto prevê a utilização do órgão histórico da igreja, construído por Joaquim António Peres Fontanes em 1793.

A iniciativa promove, assim, o encontro entre as fontes musicais preservadas na Sé de Angra, o património organístico açoriano e o contexto histórico e arquitetónico do Recolhimento de São Gonçalo, contribuindo para a investigação, interpretação e divulgação do repertório sacro português, sublinha a nota.

Fundado em 2020 por João Francisco Távora e Helder Sousa, o Musurgia Ensemble é um agrupamento de formação variável dedicado à interpretação de música dos séculos XVI a XVIII. A sua atividade articula a prática musical com a investigação de fontes históricas, procurando recuperar e divulgar repertórios através de concertos e projetos discográficos.

Entre os trabalhos publicados pelo agrupamento destaca-se Missa Iste confessor domini, editado em 2026 pela Coviello Classics, dedicado ao repertório português e franco-flamengo do século XVI, sob a direção de João Francisco Távora.

Flautista de bisel e cofundador do ensemble, João Francisco Távora formou-se na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo, no Porto, e na Hochschule für Musik und Theater “Felix Mendelssohn Bartholdy”, em Leipzig. Desenvolve atividade como intérprete e diretor musical, colaborando regularmente com a Gewandhausorchester de Leipzig desde a temporada 2023/2024. A sua discografia inclui gravações com o agrupamento Arte Minima e um álbum a solo dedicado à música de Georg Philipp Telemann, publicado em 2025.

A formação artística reúne Ana Rosa (soprano), Diana Martins (alto), André Pérez (tenor), Rui Bôrras (baixo), Xurxo Varela (viola da gamba), Manuel Vilas (harpa) e Helder Sousa (órgão), sob a direção artística e musical de João Francisco Távora.

O projeto conta com o apoio do Ministério da Cultura, Juventude e Desporto, da Direção-Geral das Artes, da Direção Regional da Cultura dos Açores e do Recolhimento de São Gonçalo.

 

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