Paróquia celebrou a sua padroeira com a bênção das Rosas, numa concelebração que encerrou o segundo dia da visita pastoral de D. Armando Esteves Domingues à ouvidoria dos Fenais de Vera Cruz

A comunidade da Lomba da Maia celebrou esta noite Nossa Senhora do Rosário, padroeira da paróquia, com uma Eucaristia presidida pelo bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, durante a qual foram benzidas rosas, como é tradição neste dia, nesta localidade.
Na homilia, o prelado desafiou a comunidade a permanecer unida em Cristo, à imagem de Maria, e a ser um “rosário vivo”.
“Cada festa de Nossa Senhora deve levar-nos a agradecer a Maria pelo seu sim”, afirmou D. Armando Esteves Domingues, pedindo que Maria “deixe nesta comunidade a sua marca” e a ajude “a ser unida como deve ser uma família e a Igreja”.
A partir de Maria, o bispo de Angra refletiu sobre a identidade e a missão da Igreja, retomando o pensamento de Bento XVI sobre o princípio mariano, precedente ao ministério petrino.
“Em Maria encontramos a essência da Igreja”, afirmou, lembrando que os cristãos não estão na Igreja para realizar atividades ou afirmar a superioridade de um grupo, mas para servir.
“Se eu vivo do Espírito como Maria, estou e sou Igreja”, disse.
D. Armando Esteves Domingues sublinhou ainda que a comunidade cristã recebeu uma herança que é, antes de tudo, de fé.
“Não estamos aqui para organizar festas. Precisamos delas, mas há uma forma de viver a festa mostrando que recebemos uma herança de fé e não de festejo. A nossa herança é da fé antes de ser de festejo.”
A imagem do Rosário esteve no centro da reflexão. “O terço é feito de contas, presas e unidas por um fio”, explicou, convidando os fiéis a fazer de cada conta “uma pessoa e uma família” e a rezarem uns pelos outros.
“O fio é Cristo”, afirmou.
“Oxalá que a Lomba da Maia não perca o fio do Rosário. Não deixem que o fio se parta. Sejamos um rosário vivo.”
A oração e a família foram também apresentadas como dimensões fundamentais da vida cristã. O bispo de Angra pediu que em cada casa exista “um espaço para rezar” e apontou Maria como modelo de uma Igreja que leva Cristo aos outros. “Maria levou Cristo aos outros e nós temos de ser capazes de o levar também”, afirmou, questionando: “Perguntemos se as nossas atividades O levam ou se ficamos apenas nos foguetes.”
A celebração encerrou o segundo dia da visita pastoral de D. Armando Esteves Domingues à Ouvidoria dos Fenais da Vera Cruz. Antes da Eucaristia, o bispo reuniu-se com responsáveis pelos movimentos e serviços da paróquia, num encontro destinado a fazer um diagnóstico e reflexão sobre a realidade paroquial.
Estiveram representados a catequese, grupos corais, leitores, acólitos, ministros extraordinários da comunhão, Conselho Económico, Conselho Pastoral, grupos de jovens, irmandades e Movimento da Mensagem de Fátima. Entre os desafios identificados estão a diminuição da participação dominical, o envelhecimento de alguns grupos, a falta de catequistas e a dificuldade em envolver crianças, adolescentes e famílias na vida da Igreja.
D. Armando Esteves Domingues insistiu particularmente na necessidade de envolver os pais na catequese.
“Façam a catequese com eles”, pediu, defendendo que, sempre que possível, os pais possam participar nas sessões.
“Podemos fazer muitas atividades, mas se não fizermos com que Jesus os toque, a todos, não conseguiremos fazer catequese.”
Esta tarde, voltou a insistir na necessidade de formação dos agentes da pastoral, considerando-a uma “urgência”.
“O que pode ser feito por leigos não deve ser feito por padres. Todos os leigos têm uma missão, mas para a levarem a cabo precisam de ser esclarecidos e bem formados”, afirmou.
O encontro, voltou a ficar marcado pelo apelo à unidade e ao trabalho interparoquial.
A paróquia prepara entretanto a comemoração de duas datas significativas: em 2027 assinalará os 150 anos da Igreja e os 50 anos da dedicação do templo a Nossa Senhora do Rosário.
A visita pastoral prossegue esta quinta-feira na Lomba da Maia e depois Ribeira Funda.
Lomba da Maia, uma paróquia dispersa mas brindada pela centralidade geográfica na costa norte




