Três novos candidatos iniciaram esta semana o ano propedêutico no Porto. Tomás Correia, Jefferson Pontes e André Rodrigues juntam-se aos três seminaristas que já se encontram em formação, num crescimento que o reitor do Seminário Episcopal de Angra associa ao acompanhamento vocacional e ao envolvimento das comunidades e dos párocos.

O Seminário Episcopal de Angra duplicou, este ano letivo, o número de seminaristas em formação no Porto. Aos três jovens que já frequentavam o Seminário Maior do Porto juntaram-se, esta segunda-feira, dia 28, três novos candidatos ao sacerdócio, que iniciam agora o ano propedêutico.
Tomás Correia, das Capelas, Jefferson Pontes, missionário brasileiro da Obra de Maria, residente nos Açores há vários anos, e André Rodrigues, dos Biscoitos, na ilha Terceira, começaram esta semana uma nova etapa do seu percurso vocacional.
“A comunidade ficou muito valorizada” refere o Reitor, padre Emanuel Valadão Vaz.
Os três integram uma comunidade de dez jovens que frequentam o ano propedêutico no Seminário do Porto, provenientes das dioceses de Angra, Porto e Coimbra. A entrada no seminário acontece num ambiente de acolhimento e proximidade, com os novos candidatos a encontrarem já no Porto outros seminaristas com quem partilham a experiência de formação.
“É uma nova etapa de vida”, explica o padre Emanuel Valadão Vaz, reitor do Seminário Episcopal de Angra, sublinhando que os novos candidatos encontram “o terreno minimamente preparado”, quer pela formação que antecedeu a entrada no seminário, quer pela presença dos restantes seminaristas.
A experiência de comunidade foi, aliás, uma das dimensões trabalhadas no encontro de verão, no Nordeste, que permitiu aos três jovens conhecerem-se melhor entre si e estabelecerem contacto com os restantes seminaristas. Para o reitor, esse encontro foi “muito importante” para abrir uma primeira perspetiva sobre a vida comunitária e sobre a necessidade de cada um se conhecer melhor.
O ano propedêutico é vivido como um tempo de procura, discernimento e descoberta. Mais do que uma preparação exclusivamente académica, trata-se de um período destinado a aprofundar a relação com Cristo, a conhecer melhor a Igreja e a discernir o sentido de um possível chamamento ao sacerdócio.
“É a caminhada de alguém que está à procura, de alguém que quer conhecer-se e conhecer mais o sentido deste chamamento, desta vocação, que é o seguimento de Jesus Cristo”, afirma o padre Emanuel Valadão Vaz.
Este percurso implica também descobrir o que significa ser sacerdote no tempo presente e aprender a viver a fé e o serviço em comunidade.
Uma das atitudes que o reitor considera particularmente importantes neste processo é a capacidade de ter um “coração à larga”: uma abertura que permita não ficar centrado apenas em si próprio, mas aprender a escutar, a acolher e a compreender a realidade dos outros e da própria Igreja.
“Esta caminhada torna-se exigente quando feita em conjunto, em comunidade e, se quisermos, no espírito de sinodalidade que é fundamental”, refere.
Apesar da dimensão comunitária, o caminho vocacional é sempre pessoal. Cada candidato é chamado a realizar o seu próprio percurso de descoberta, procurando compreender o chamamento que sente e a resposta que está disposto a dar.
O aumento do número de candidatos em formação no Porto é também visto pelo reitor como resultado de um caminho de acompanhamento vocacional que envolve diferentes intervenientes.
“Sem dúvida que a presença dos párocos e das comunidades paroquiais de origem é importante para este despertar de vocações”, afirma.
O padre Emanuel Valadão Vaz destaca particularmente o papel das comunidades cristãs e dos párocos na identificação e acompanhamento dos jovens que manifestam sinais de inquietação vocacional.
“É aquilo que é o nascer, ou as sementes vocacionais que florescem a partir das comunidades e que são sinalizadas pelos párocos”, explica.
Neste processo, o pré-seminário constitui igualmente uma resposta da Igreja ao acompanhamento de adolescentes e jovens que começam a colocar questões sobre a sua vida, a fé e uma possível vocação.
Para o reitor, existe assim um “tripé” essencial no despertar e acompanhamento vocacional: as comunidades, os párocos e o seminário.
“O seminário são aqueles que vão acompanhando e que vão ajudando a cuidar daquilo que Deus colocou no coração de cada um deles”, afirma.
O acompanhamento não termina, porém, com a entrada no seminário. A ligação à diocese de Angra mantém-se, tanto através de momentos presenciais como através de um acompanhamento próximo à distância.
O reitor considera ainda que os próprios seminaristas podem assumir um papel importante no despertar de novas vocações.
A sua experiência, o testemunho de vida e o contacto com outros jovens podem contribuir para que surjam novas perguntas e inquietações sobre a vocação e o serviço à Igreja. Por isso, a chegada destes novos seminaristas acaba por ser facilitada com a presença de outros mais velhos que os ajudarão na integração.
“Eles próprios são protagonistas de chegar a outros mais novos”, afirma o padre Emanuel Valadão Vaz, considerando-os “instrumentos nas mãos de Deus” para despertar vocações junto de jovens da sua idade e também de gerações mais novas.
Atualmente a Diocese de Angra tem seis seminaristas no Porto. Os três que iniciam agora esta etapa formativa juntam-se a outros três: Elson Medeiros (Sete Cidades) e Afonso Silveira (São Roque), que frequentam o segundo ano do mestrado em Teologia e a David Carreiro (Covoada) que frequentará o segundo ano da licenciatura de Teologia, na Faculdade de Teologia da Universidade Católica do Porto.
Os três seminaristas mais velhos estarão, de resto, em Angra durante a Semana dos Seminários, de 1 a 8 de novembro, que será também uma oportunidade para reforçar esta dimensão vocacional na Diocese de Angra. Durante essa semana, os três seminaristas participarão em diversas atividades de promoção e acompanhamento vocacional junto das comunidades.
O programa culminará com a Vigília pelos Seminários, no dia 7 de novembro, num momento de oração pelas vocações e por todos aqueles que se encontram a realizar o seu caminho de discernimento e formação para o sacerdócio.






