Paróquia de São José aprova primeiro Plano Pastoral e define prioridades para chegar “outra margem”

Documento para 2026–2027 reúne a identidade e a organização da comunidade, define prioridades pastorais e apresenta mais de duas dezenas de grupos, movimentos e serviços paroquiais

 

A Paróquia de São José, em Ponta Delgada, acaba de aprovar o seu primeiro Plano Pastoral Paroquial para 2026–2027, um documento  feito pelo Conselho Pastoral, que estabelece as prioridades e os compromissos da comunidade para o novo ano pastoral, em sintonia com o Projeto Pastoral da Diocese de Angra.

O plano tem como tema “Como chegar à outra margem?” e assume como eixos orientadores a conversão, o acolhimento e a missão, acompanhando a orientação diocesana.

Mais do que um calendário de atividades, esta primeira edição pretende ser um “instrumento de comunhão, participação e corresponsabilidade”, reunindo num único documento a identidade da paróquia, a sua organização, os grupos, movimentos e serviços que a constituem, as orientações pastorais e as iniciativas previstas para o ano. O objetivo é “fortalecer a unidade da comunidade” e encontrar “novas formas de chegar às pessoas que vivem mais distantes da vida da Igreja”.

“O Plano Pastoral Paroquial que agora apresentamos traduz esse compromisso coletivo. Acolhendo as orientações da Diocese, queremos unir a formação cristã à vivência sacramental, melhorar o acolhimento das pessoas e das famílias e abrir a comunidade ao encontro de quem vive mais distante da sua vida quotidiana” pode ler-se na nota introdutória assinada em conjunto pelo pároco, padre Duarte Melo e pelo coordenador do Conselho Pastoral, Francisco Almeida Medeiros.

Entre as prioridades definidas destacam-se o “aprofundamento da vida espiritual e da formação cristã”, o “acolhimento das famílias e dos jovens”, o “acompanhamento das pessoas doentes, isoladas ou em situação de pobreza”, a “colaboração entre os diferentes serviços paroquiais” e a “valorização da cultura e do património” como espaços de encontro e diálogo com a cidade.

Duas prioridades para renovar a vida da comunidade

O Plano Pastoral organiza parte dos seus compromissos em torno da construção de uma paróquia que reza e se forma e de uma paróquia que acolhe. No primeiro eixo, propõe-se reforçar a formação cristã de adultos e agentes pastorais, valorizar a Palavra de Deus e promover, nas reuniões habituais dos grupos, um momento mensal de escuta orante do Evangelho que inspira o ano pastoral.

No acolhimento, segundo eixo, a atenção centra-se na hospitalidade das celebrações e no acompanhamento das pessoas e das famílias, particularmente na preparação para os sacramentos, em situações de doença ou luto e nos percursos de regresso à comunidade cristã. Neste âmbito, há um destaque visível para a Pastoral da Família. Por isso, a paróquia pretende promover o acompanhamento das famílias nas diferentes etapas da vida, procurando fortalecer os laços familiares, a vivência da fé, a transmissão dos valores cristãos e a participação na comunidade paroquial. Reconhecendo a família como lugar privilegiado de transmissão da fé- “a transmissão da fé acontece também fora das salas de catequese”-, a paróquia procura também criar condições para acompanhar as suas necessidades, através da escuta, da proximidade e da colaboração entre os serviços pastorais e sociais, sempre com respeito pela reserva e pela dignidade de cada pessoa. Assume particular importância o acolhimento das famílias recém-chegadas à paróquia e daquelas que procuram retomar a sua ligação à comunidade, favorecendo relações de proximidade, participação e sentido de pertença.

A promoção do encontro entre gerações constitui igualmente uma prioridade, envolvendo a Catequese, os Escuteiros, a Pastoral da Família e o Centro Paroquial na criação de oportunidades de convívio e partilha entre crianças, jovens, famílias e idosos, aproveitando as diversas iniciativas da vida comunitária. Desta forma, pretende-se fortalecer os laços entre gerações e construir uma comunidade paroquial mais próxima, acolhedora e atenta a todas as famílias.

O documento prevê, ainda, melhorar a receção, a informação disponibilizada e as condições de acesso, acompanhando os progressos através das melhorias introduzidas e dos contributos dos participantes.

A dimensão missionária estende-se também à presença da paróquia na cidade, através da música, da arte, do património e do diálogo com a sociedade. A valorização de uma “programação cultural articulada” e o alargamento da participação nas iniciativas paroquiais constituem compromissos para 2026–2027, num horizonte que inclui igualmente a abertura ecuménica e o respeito pelas diferentes tradições cristãs.

A corresponsabilidade como expressão de uma única missão

A participação dos leigos e a articulação entre os diferentes grupos e serviços ocupam um lugar relevante no documento. Partindo da compreensão da Igreja como Povo de Deus, sublinhada pelo Concílio Vaticano II, o Plano sublinha que a diversidade de vocações, ministérios e carismas deve convergir numa missão comum.

Na Paróquia de São José, esta corresponsabilidade traduz-se no reconhecimento do contributo de cada grupo para a vida comunitária, na partilha de informação, na formação permanente dos agentes pastorais e na colaboração entre serviços. A participação dos fiéis não se limita à ocupação de cargos ou à realização de reuniões, abrangendo a liturgia, a catequese, a caridade, a vida familiar e a presença cristã na sociedade.

O documento dá particular atenção à ação sociocaritativa desenvolvida pelo Projeto São Lucas, pela Conferência Vicentina e pelo Centro Paroquial do Bem-Estar Social de São José, valorizando a proximidade às pessoas em situação de fragilidade e a articulação das respostas às suas necessidades.

A elaboração do Plano procurou envolver os diferentes grupos e movimentos paroquiais, cujos contributos foram apreciados em Conselho Pastoral, num processo de escuta e discernimento conjunto.

“A travessia começa na conversão de cada um”

Na nota de abertura, o pároco e o coordenador do Conselho Pastoral Paroquial apresentam o documento como expressão de um caminho partilhado, inspirado no convite de Jesus aos discípulos: “Passemos à outra margem” (Mc 4, 35).

Os responsáveis explicam que, por se tratar da primeira edição do Plano Pastoral Paroquial, optaram por lhe dar um âmbito mais abrangente do que a simples programação anual, reunindo a identidade da Paróquia de São José, a sua organização, os grupos, movimentos e serviços, as orientações comuns e os compromissos assumidos para o ano pastoral. Esta opção pretende criar uma base de referência para o futuro, permitindo que as próximas edições sejam mais breves e se concentrem sobretudo nas prioridades e iniciativas de cada ano.

Na mesma nota, manifestam o reconhecimento a todos os que contribuem diariamente para a vida da comunidade e apelam a uma corresponsabilidade capaz de transformar a “escuta em participação e o encontro em testemunho”.

O Plano Pastoral termina com uma memória monográfica dedicada aos cerca de 20 grupos, movimentos e serviços organizados na Paróquia de São José, dando a conhecer a sua identidade e missão. Esta secção constitui também um instrumento de informação para a comunidade, permitindo reconhecer a diversidade de iniciativas e o contributo de cada realidade para a vida paroquial.

A publicação encerra com o calendário da paróquia para o ano pastoral de 2026–2027, reunindo as principais referências para a organização e participação na vida comunitária.

Plano Pastoral Paroquial São José

Scroll to Top