Dos Açores a Fátima, 40 escuteiros levaram ao caminho uma pergunta: “Sentes-te ca’PAZ?”

Quarenta escuteiros dos Açores participaram em Fátima na Peregrinação Nacional do Corpo Nacional de Escutas (CNE), que reuniu cerca de 70 mil pessoas, dez anos depois da última edição. A iniciativa, do fim de semana passado, desafiou os participantes a fazer da paz uma atitude quotidiana

Foto: Marco Barbosa/Igreja Açores

Os 40 elementos  do Corpo Nacional de Escutas (CNE) da Região Açores, entre os quais quatro dirigentes da Junta Regional,  de São Miguel, da Terceira e do Faial, levaram até Fátima a vontade de reencontrar escuteiros de todo o país, fortalecer a fé e viver uma experiência de fraternidade.

“Mais do que uma viagem entre ilhas e continente, foi uma oportunidade para perguntar: depois de caminhar, que caminho queremos continuar a fazer?”, afirma Marco Barbosa, chefe regional adjunto, em declarações ao Sítio Igreja Açores.

A participação açoriana acabou por ficar aquém do desejado, condicionada pela coincidência com o período escolar e pelos custos de uma deslocação ao continente. Ainda assim, a experiência ganhou um significado particular para quem atravessou o mar para chegar a Fátima.

“Há distâncias muito mais pequenas no mapa e muito maiores no coração: entre pessoas que deixaram de se falar, entre quem precisa de ajuda e quem passa sem reparar, entre aquilo que prometemos enquanto escuteiros e aquilo que efetivamente fazemos”, sublinha Marco Barbosa.

Durante a peregrinação, promovida pela Assistência Nacional do CNE, os escuteiros foram convidados a refletir sobre cinco pilares da construção da paz: Educação, Amizade, Tolerância/Diálogo, Respeito e Acreditar.

“Partimos dos Açores com a expectativa natural de quem vai a uma grande atividade nacional: viver o espírito de fraternidade escutista, fortalecer a nossa fé, partilhar experiências e sentir que, apesar da distância geográfica, pertencemos à mesma grande família”, afirma Marco Barbosa.

Mas o regresso trouxe também uma responsabilidade: fazer com que a experiência vivida em Fátima tenha consequências no dia a dia.

“Percebemos que não basta ter estado em Fátima. É preciso trazer Fátima para casa”, resume.

A mochila voltou a ser arrumada, o mar voltou a ser atravessado e os escuteiros regressaram aos agrupamentos, às famílias, à escola e ao trabalho. Mas, na perspetiva do chefe regional adjunto, a caminhada continua através de três verbos: acreditar, servir e caminhar.

“Acreditar em Jesus, servir os outros e caminhar juntos”, sintetiza.

“A paz constrói-se muito antes dos grandes gestos”, considera ainda Marco Barbosa, para quem a peregrinação recordou também que a Promessa Escutista não pode ficar limitada ao uniforme ou a uma cerimónia.

Deve tornar-se visível “na forma como vivemos em casa, na escola, no trabalho, com os amigos, no cuidado da natureza e no serviço aos outros”.

A presença açoriana inscreve-se também numa relação de longa duração com Fátima. Há dez anos que escuteiros do CNE asseguram voluntariado no Santuário durante a peregrinação, missão que tem contado igualmente com a participação de elementos dos Açores.

No encerramento da peregrinação, o Núncio Apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa, deixou aos cerca de 70 mil peregrinos três palavras: “Acreditar. Servir. Caminhar.”

Na homilia, lembrou que “a fé não se mede apenas pelas palavras” e que se torna verdadeira quando passa para a vida. Evocando o espírito do Escutismo, sublinhou ainda que caminhar é fazê-lo em equipa, dando lugar a cada pessoa e sem deixar ninguém para trás.

Dez anos depois da grande peregrinação do centenário, cerca de 70 mil escuteiros do CNE participaram na peregrinação nacional a Fátima, a primeira em 10 anos, com o lema ‘Sentes-te ca’PAZ?’.

Esta iniciativa da Assistência Nacional, aprovada no Plano Anual da Associação, pretendeu mobilizar os escuteiros para “a importância da educação para a paz”.

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