“Fazer a vontade de Deus é tudo”- recorda o padre Norberto Brum
A Capela do Colégio de São Francisco Xavier acolheu, esta tarde, a cerimónia de encerramento do ano jubilar dedicado a Ana Maria Javouhey, fundadora da Congregação das Irmãs de São José de Cluny. A celebração ficou marcada pela leitura de uma bênção apostólica do Papa Leão XIV e por apelos à renovação do compromisso com a fé, a educação e a transformação da sociedade.
Na homilia, o padre Norberto Brum destacou o exemplo de vida de Ana Maria Javouhey, sublinhando a sua capacidade de reconhecer e cumprir a vontade de Deus, mesmo perante as dificuldades e as perseguições.
«A vida de Ana Maria mostra-nos que, quando Deus encontra um coração simples e disponível, pode realizar coisas muito belas», afirmou.
O sacerdote recordou que a fé não garante um caminho sem obstáculos, mas oferece “segurança e confiança” para enfrentar os desafios. Evocando a ação de Ana Maria Javouhey na libertação de pessoas escravizadas, salientou que a fé deve traduzir-se em gestos concretos de promoção da dignidade humana, de combate à pobreza e à ignorância e de defesa da liberdade.
O padre Norberto Brum convidou os presentes a refletirem sobre a disponibilidade para escutar e cumprir a vontade de Deus, em vez de procurarem apenas a confirmação das próprias vontades.
“Fazer a vontade de Deus é tudo”, recordou, apelando a que o amor se torne uma regra de vida, através da bondade e da atenção às famílias, às crianças e aos mais vulneráveis.
O sacerdote reforçou ainda que a coragem cristã não significa a ausência de dificuldades, mas a confiança necessária para agir, lembrando que Deus não substitui a responsabilidade humana, antes desafia cada pessoa a assumir o seu papel na construção de um mundo mais justo.
“O outro nunca deve ser um problema, mas um irmão”, afirmou, defendendo um compromisso real com a transformação da pessoa humana e da sociedade.
Na intervenção de encerramento, a irmã Domingas Lisboa, diretora do Colégio de São Francisco Xavier, evocou a herança de Ana Maria Javouhey como um “rasto de luz que permanece” e destacou a atualidade do seu exemplo para a missão educativa da instituição.
A responsável recordou a primeira presença da congregação nos Açores, em 1893, e a continuidade da missão de formar integralmente os jovens, relacionando o legado da fundadora com o lema do projeto pastoral do colégio: “Coragem para sonhar, dever para agir”.
A religiosa sublinhou ainda a importância de sair da zona de conforto e de levar a fé “à outra margem”, através de uma ação comprometida com os outros.
A cerimónia terminou com a evocação da bênção apostólica do Papa Leão XIV, apresentada pela irmã Almerinda Alves, num momento de renovação do empenho e do entusiasmo em dar continuidade à missão inspirada por Ana Maria Javouhey. Durante o ano a capela do Colégio de Ponta Delgada era uma das capelas jubilares deste ano santo que homenageia a fundadora das Irmãs de São José de Cluny, beatificada por Pio XII há 75 anos.





