Nota Pastoral para a Semana Nacional da Educação Cristã sublinha necessidade de responder cenário marcado pela “fragmentação cultural, pelo individualismo e pela crise das relações humanas”

A Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé apelou hoje a um “pacto” educativo focado na pessoa, alertando para os riscos ligados ao uso da tecnologia na formação das novas gerações.
“A par das emergentes possibilidades tecnológicas, assistem-se a sinais de uma particular preocupação com a sua humanização, com o acolhimento dos mais frágeis, a defesa dos direitos humanos e a sensibilidade ecológica”, advertem os bispos na nota pastoral divulgada para a Semana Nacional da Educação Cristã, que decorre de 2 a 11 de outubro.
O documento citado pela Agência Ecclesia destaca que o mundo digital oferece “oportunidades extraordinárias” para o desenvolvimento humano, mas sublinha os “desafios relacionados com a verdade, o discernimento e a liberdade”.
“Numa época também marcada pela fragmentação cultural, pelo individualismo e pela crise das relações humanas, manifestas pelo isolamento social de muitos, pela solidão e pela fragilidade dos vínculos familiares e comunitários, importa traçar trajetórias de navegação segura, capaz de ancorar a pessoa em referenciais sólidos de repouso e de abrigo”, aponta o documento.
Em causa, escreve a Comissão Episcopal, estão “alguns dos mais humanos atributos da pessoa”, como “a interioridade, a reflexão, o pensamento crítico, as decisões conscientes, a criatividade, os valores, a procura de sentido existencial e de realização pessoal”.
“Acolhendo o pensamento e as preocupações do Papa Leão XIV, relembramos que a inteligência artificial é desprovida de coração”, referem os bispos.
A nota pastoral aponta ao “encontro com a verdade, com a proximidade que humaniza, os valores humanos que escoram a personalidade, os pilares que formam a consciência, e as atitudes de diálogo que favorecem a escuta e o discernimento dos sinais dos tempos e das marés”.
“Os que fazem parte da constelação educativa são, assim, chamados a criar, transformar e gerar respostas renovadas aos desafios com que se deparam, em cada uma das suas circunstâncias”, pode ler-se.
Os responsáveis católicos dirigem-se aos titulares de cargos de administração, direção e gestão escolar, aos educadores cristãos, professores da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica, das escolas católicas, aos párocos e aos catequistas.
“Vocacionados e com sentido de responsabilidade, todos somos convocados para um pacto educativo que coloca a pessoa no centro da ação e da finalidade educativa, inclusiva e participada”, sustentam.
A nota ‘Artífices de uma nova humanidade’ dirige-se também aos alunos, apontando ao desejo de um crescimento “integral”.
“Não tenhais medo de sonhar, de traçar novos mapas, e de iluminar as comunidades educativas/paroquiais com o fulgor e o brilho de quem se dispõe a aspirar ao alto e à profundidade de ser mais e melhor pessoa”, escrevem os responsáveis católicos.
“A educação cristã contribui para nutrir todas as dimensões do ser humano, dirigindo-se à formação da inteligência, da afetividade, da consciência, da espiritualidade e do sentido de responsabilidade para com o próximo.”
A Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé promove, nos dias 2 e 3 de outubro de 2026, no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima, o Simpósio sobre a Educação e a Escola em Portugal, subordinado ao tema ‘Traçar mapas educativos para uma Magnífica Humanização’. A Semana de Educação Cristão decorre de 2 a 11 de outubro.
(Com Ecclesia)
