Bispo de Angra desafia comunidade a “humanizar as relações” e a reforçar a cooperação em prol do bem comum

Prelado visitou a escola do primeiro ciclo de Porto Formoso e depois almoçou com elementos do Conselho Pastoral e sociedade civil

Foto: Igreja Açores/CR

O Bispo de Angra desafiou esta segunda -feira a comunidade de Porto Formoso a investir na humanização das relações, através de uma Igreja mais próxima das pessoas, aberta à sociedade e capaz de construir pontes com as instituições civis, sublinhando que a unidade e a cooperação são fundamentais para responder aos desafios atuais.

A mensagem foi deixada durante um almoço com membros do Conselho Pastoral e representantes das autoridades civis, nomeadamente da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal, realizado no âmbito da visita pastoral à comunidade.

Para o prelado, a missão da Igreja não se esgota na vida interna das comunidades, devendo traduzir-se numa presença concreta na sociedade, através de atitudes de proximidade, diálogo e serviço.

“Uma Igreja sinodal, que caminha em conjunto e sabe colaborar com as instituições e com a sociedade, pode tornar-se um exemplo de unidade capaz de inspirar a comunidade envolvente” sublinhou.

D. Armando Esteves Domingues salientou ainda que, quando as pessoas e as instituições se unem em torno de objetivos comuns, torna-se mais fácil ultrapassar dificuldades e encontrar respostas para os desafios coletivos. Neste sentido, destacou a importância da visita pastoral como oportunidade para reconhecer o papel dos pastores nas comunidades, compreender as suas dificuldades e fortalecer os laços de comunhão.

O prelado alertou ainda para a necessidade de conjugar a iniciativa humana com a confiança na ação de Deus, lembrando que, embora o ser humano possa sonhar e projetar obras, é essencial dar espaço à ação do Espírito Santo. A abertura ao outro e a capacidade de caminhar em conjunto devem, por isso, marcar a vida das comunidades cristãs.

No mesmo encontro, o padre Hélio Soares, ouvidor e pároco desta comunidade, referiu-se ao Bispo de Angra como um “semeador da esperança” lembrando, contudo, que essa missão pertence a todos.

Perante as dificuldades, afirmou, a esperança encontra fundamento numa realidade que ultrapassa a vontade individual, convidando cada pessoa a conhecer a sua terra, a dar o melhor de si e a não desistir de semear o bem.

O sacerdote manifestou o desejo de que a presença do prelado constitua uma oportunidade de crescimento e um caminho de aproximação, capaz de ajudar a comunidade a permanecer unida mesmo perante diferenças de opinião e perspetivas distintas. Sublinhou ainda que a paróquia se constrói com todos, através do contributo de cada pessoa para um projeto comum.

Também o presidente da Junta de Freguesia destacou a capacidade de mobilização das pessoas em torno de valores partilhados, considerando que a união em prol do bem comum representa uma das maiores riquezas de uma comunidade. Nesse sentido, manifestou disponibilidade para contribuir para esse objetivo, defendendo que a proximidade entre instituições é essencial para servir melhor as pessoas.

Por sua vez, Jaime Vieira, presidente da Câmara da Ribeira Grande, também presente neste almoço, considerou que a presença do Bispo de Angra constitui um contributo importante para a Igreja nos Açores, num contexto marcado por profundas mudanças sociais. Destacou igualmente a “qualidade dos sacerdotes” e a diversidade dos seus percursos e personalidades, “unidos pela disponibilidade para servir as respetivas comunidades.”

O responsável reforçou ainda a importância de “uma relação próxima entre o poder político e a Igreja, assente no diálogo e no trabalho conjunto em favor do bem comum”.

Comunidade educativa desafiada a cuidar das pessoas

O cuidado com a natureza e a importância de cada pessoa na construção de uma comunidade mais solidária estiveram em destaque na passagem do Bispo de Angra  pela escola de primeiro ciclo e pré-escolar, onde foi convidado a deixar uma intenção e um compromisso para o bem-estar e a sustentabilidade, dois temas que fazem parte do projeto educativo da Escola.

O encontro proporcionou um momento de proximidade com as 59 crianças que frequentam o estabelecimento, incluindo alunos da educação pré-escolar, do primeiro ciclo e da educação especial. O prelado interagiu com os mais novos, respondeu às suas perguntas e explicou, numa linguagem acessível, o significado da sua missão.

“Sou um padre que o Papa escolheu para ser bispo”, explicou, referindo-se também ao Papa como bispo de Roma e pastor de toda a Igreja, num diálogo que permitiu às crianças conhecer melhor a missão episcopal.

Um dos momentos simbólicos da visita foi a apresentação de uma tela construída com as impressões digitais dos alunos, formando uma árvore. Isabel e Inês explicaram o significado do trabalho, em que cada dedo representa uma criança e o seu contributo para o crescimento da escola. Tal como uma árvore cresce e se fortalece, também a comunidade educativa se desenvolve com a participação de cada um.

O Bispo de Angra foi igualmente convidado a participar na construção da “árvore do bem-estar”, deixando por escrito um compromisso pessoal para o ano letivo. A iniciativa, realizada numa semana dedicada à alimentação, procurou sensibilizar as crianças para a importância de escolhas saudáveis, do respeito pela natureza e do cuidado com os outros.

“Vou admirar tudo o que Deus criou: respeitar a natureza e amar todas as pessoas”, foi o compromisso deixado pelo prelado, numa mensagem que associa a sustentabilidade ambiental à valorização da vida e das relações humanas.

A escola integra uma rede de respostas educativas e de apoio à infância que envolve diferentes instituições locais.

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