Visita pastoral termina com apelo à união e ao reforço da espiritualidade nas comunidades

“A visita do senhor Bispo veio motivar, unir e procurar que as comunidades reflitam sobre a sua missão, aprofundando mais a espiritualidade”, afirmou o padre Hélio Soares no final da visita à Lombinha da Maia. A renovação da catequese, o envolvimento dos jovens e a formação espiritual estiveram entre os principais desafios identificados ao longo da visita.

Foto: Igreja Açores/CR

A visita pastoral do bispo de Angra à Ouvidoria dos Fenais de Vera Cruz chega ao fim este sábado com o encontro de jovens que irão celebrar o sacramento do Crisma em Janeiro e com a reunião do Conslho Pastoral da Ouvidoria,  depois de 11 dias de contacto com uma comunidade de cerca de seis mil pessoas, distribuídas entre o Porto Formoso e a Lomba de São Pedro, num território que integra cinco paróquias e três curatos. O percurso permitiu conhecer de perto a realidade das comunidades, identificar dificuldades e refletir sobre caminhos para fortalecer a vida pastoral.

No balanço da visita às três últimas comunidades- Porto Formoso, Maia e Lombinha da Maia, o padre Hélio Soares, que além de ouvidor é pároco destas três comunidades destacou a presença de D. Armando Esteves Domingues enquanto oportunidade de motivação, união e reflexão, considerando que o contacto com o prelado diocesano ajudou a trazer para o centro das preocupações questões fundamentais para o futuro das comunidades. Entre elas estão a necessidade de repensar a catequese, reforçar a pastoral juvenil e promover uma vivência cristã que vá além da dinâmica das festas religiosas.

“A catequese constitui uma das principais preocupações identificadas”, sobretudo perante a implementação de um novo projeto catequético a nível nacional, também em desenvolvimento na Diocese de Angra, referiu o sacerdote. O processo exige adaptação, formação e envolvimento das comunidades, numa mudança que, segundo o padre Hélio Soares, terá de ser construída gradualmente.

Associada a este desafio está a pastoral juvenil. A criação ou reorganização de grupos de jovens nas paróquias foi apontada como uma prioridade, podendo os jovens que se preparam para receber o sacramento do Crisma, em janeiro, constituir o ponto de partida para esta nova etapa.

A formação foi outra das necessidades evidenciadas nas assembleias paroquiais realizadas durante a visita. A preparação dos conselhos económicos, a formação litúrgica e o aprofundamento espiritual foram algumas das áreas destacadas. Neste último domínio, pretende-se dar continuidade ao trabalho de promoção de grupos ligados à Rede Mundial de Oração do Papa, uma espiritualidade que o padre Hélio Soares considera particularmente importante para a vida das comunidades.

O responsável pastoral chamou ainda a atenção para o peso das festas de verão na dinâmica paroquial. Reconhecendo o seu contributo para a mobilização das pessoas, defendeu a necessidade de complementar essa dimensão festiva com uma maior aposta na oração, na formação e na participação regular na vida da Igreja.

Lombinha da Maia encerrou o percurso pastoral

O último dia da visita ficou marcado pela passagem de D. Armando Esteves Domingues pela Lombinha da Maia, uma pequena comunidade ligada à paróquia da Maia, com cerca de 250 habitantes. A localidade, cuja igreja é dedicada a Nossa Senhora das Dores, assinalou em setembro de 2001 o centenário da sua igreja.

A comunidade mantém tradições religiosas próprias, com destaque para a festa em honra de Nossa Senhora das Dores, celebrada liturgicamente a 15 de setembro, e para as festas populares do primeiro domingo de agosto. Conta ainda com um grupo de cerca de 30 romeiros.

Durante o encontro, foram também abordadas as mudanças sociais que marcam a localidade, nomeadamente o envelhecimento da população, a existência de poucas crianças na catequese e a chegada de novos residentes, associada à compra e recuperação de habitações. Esta transformação coloca novos desafios à integração e ao diálogo entre os habitantes, tornando necessário encontrar formas de aproximar a comunidade religiosa e a população em geral.

Na reflexão dirigida aos presentes, o bispo de Angra sublinhou que a “Igreja nasce quando as pessoas se juntam e partilham os mesmos valores”, recordando que, em Cristo, “ninguém deve sentir-se sozinho”. D. Armando Esteves Domingues destacou a importância de “conhecer o outro, acompanhar a sua realidade e construir relações de proximidade”, independentemente dos diferentes carismas e percursos de vida.

O bispo de Angra deixou também uma referência ao Dia Mundial das Missões, lembrando que a Igreja é uma realidade em permanente construção. Na celebração, apelou ainda à oração pelo Papa, associando esse pedido à dimensão espiritual e à necessidade de “permanecer unido em Cristo”, nos momentos de provação.

A visita à Lombinha da Maia incluiu igualmente momentos de contacto com iniciativas e espaços da comunidade, entre os quais a Casa do Espírito Santo, a Casa do Linho e as Terras do Chá. Neste último espaço, foi apresentada a recuperação de um edifício que esteve encerrado durante cerca de 20 anos e que, depois de ter servido como escola, foi transformado numa incubadora cultural. O projeto, nascido da própria comunidade, promove atividades, oficinas e iniciativas ligadas à produção e à educação, valorizando saberes e produtos locais, como a massa da Maia e os biscoitos.

No encontro com os responsáveis locais, foi também salientado o papel da comunidade na preservação das suas tradições e na construção de novas respostas para o futuro.

O presidente da Junta de Freguesia da maia agradeceu a presença do bispo, manifestando disponibilidade para a continuidade da colaboração entre a Junta e a Igreja, em prol do bem comum, enquanto Luís Câmara, uma das figuras mais destacadas da Igreja na localidade apelou à abertura da comunidade à ação do Espírito Santo, entendida como fonte de perdão, compreensão e renovação.

Jovens e Conselho Pastoral marcam o encerramento

O programa do último dia da visita pastoral prossegue este sábado com um encontro com os jovens que irão celebrar o sacramento do Crisma em janeiro, seguindo-se uma reunião do Conselho Pastoral e a celebração de encerramento.

Scroll to Top