Dia dos Diáconos Permanentes da Diocese de Angra

Pelo Diácono Paulo Roldão

Foto: Diácono Paulo Roldão/Igreja Açores

Hoje (Domingo), ao celebrarmos o Dia dos Diáconos Permanentes da Diocese de Angra, somos convidados a olhar para o nosso ministério à luz daquele que é o nosso patrono, São Francisco de Assis, homem do Evangelho, da simplicidade, da fraternidade e do serviço.

Francisco compreendeu que seguir Cristo não significava apenas falar de Deus, mas aproximar-se daqueles de quem tantos se afastavam. Tocou as feridas dos pobres, dos leprosos, dos excluídos e dos esquecidos. Despojou-se de si mesmo para se colocar ao serviço dos outros e descobriu, precisamente nos últimos, o rosto de Cristo.

É também este o coração do ministério do diácono permanente: ser servidor.

Servidor do altar, da Palavra e da caridade. Mas, sobretudo, servidor daqueles que muitas vezes vivem nas margens: os pobres, os doentes, os idosos, os que vivem sozinhos, os que perderam a esperança, os que não encontram lugar na sociedade, os que sofrem em silêncio e todos aqueles que, por diferentes razões, permanecem nas franjas da nossa comunidade humana.

Há, no Evangelho, uma imagem que pode iluminar profundamente o nosso ministério. Uma mulher, doente há muitos anos, aproxima-se de Jesus no meio da multidão e, sem sequer pedir uma palavra, estende a mão e toca a franja da sua capa. E Jesus deixa-se tocar pela sua dor.

Aquela mulher estava, de certo modo, numa franja da sociedade. Mas para Jesus ela não era uma pessoa anónima, nem um problema, nem alguém a ser ignorado. Era uma filha, uma pessoa digna de ser vista, escutada e acolhida.

Talvez seja precisamente aqui que encontramos uma das maiores interpelações para o nosso diaconado.

Somos chamados a estar junto das franjas.

Não apenas a falar sobre os que estão nas margens, mas principalmente  a aproximarmo-nos deles. A tocar as suas vidas com respeito e delicadeza. A estender a mão a quem já não acredita que alguém lha possa dar. A levar uma palavra a quem vive na solidão, uma presença a quem está doente, pão a quem tem fome, esperança a quem se sente esquecido.

A franja da capa de Cristo pode tornar-se, assim, uma imagem do nosso próprio ministério.

Tal como aquela mulher procurou a franja da capa de Jesus, também hoje há homens e mulheres que procuram, talvez sem o dizerem, um pequeno pedaço da presença de Cristo. E nós, diáconos permanentes, somos chamados a ser essa presença humilde e próxima: não para ocupar o lugar de Cristo, mas para levar Cristo até às pessoas.

São Francisco compreendeu isto de forma admirável. Quando beijou o leproso, não estava simplesmente a realizar um gesto de caridade; estava a descobrir que, por detrás daquele rosto rejeitado, estava o próprio Cristo.

Que também nós saibamos reconhecer Cristo nas feridas do nosso tempo.

Que nunca nos habituemos à pobreza.
Que nunca sejamos indiferentes à doença.
Que nunca passemos ao lado da solidão.
Que nunca consideremos alguém como estando demasiado longe para ser alcançado.

Que o nosso diaconado tenha sempre mãos disponíveis para servir, olhos para ver quem sofre, ouvidos para escutar e coração para acolher. E que São Francisco de Assis nos ensine a viver um ministério despojado, humilde e alegre, colocando a nossa vida ao serviço dos irmãos.

Neste dia, peçamos ao Senhor que faça de cada diácono permanente da Diocese de Angra um verdadeiro servidor das franjas: alguém capaz de sair das seguranças, atravessar as multidões e aproximar-se daqueles que precisam de sentir que Deus não os abandonou.

Que saibamos tocar, com a delicadeza de Cristo, as muitas “franjas” da vida.

E que aqueles que se aproximarem de nós possam, através do nosso serviço, sentir que tocaram também a franja da capa de Cristo.

São Francisco de Assis, nosso patrono, rogai por nós.

Que o Senhor nos conceda a graça de sermos, todos os dias, diáconos do Evangelho, servidores dos pobres e testemunhas da misericórdia de Cristo.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

*Paulo Roldão é um dos diáconos permanentes da diocese de Angra

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