Bispo de Alerta alerta para o perigo da missão se resumir à “gestão do que resta” e para a “desistência de fazer crescer a Igreja”, na Missa de encerramento da visita pastoral a esta ouvidoria de São Miguel

O bispo de Angra terminou este sábado a visita pastoral de 11 dias à ouvidoria dos Fenais de Vera Cruz, na ilha de São Miguel a pedir aos fieis que sejam obstinados pela missão de evangelização e não desistam de fazer crescer a Igreja “gerindo apenas o que resta”.
“Muitos cristãos desistiram de fazer crescer a Igreja. Muitas vezes parece que só gerimos o que ainda resta…”, lamentou D. Armando Esteves Domingues, que pediu um compromisso renovado de todos os fiéis na vida das comunidades e na transmissão da fé.
“Não vos iludais: o ambiente pastoral não muda pela visita pastoral. Se cada um não fizer a sua parte todos os dias, não mudaremos nada”, afirmou o prelado, sublinhando que a transformação da Igreja depende da disponibilidade de cada cristão para assumir a sua missão quotidiana.
Na homilia da Missa de encerramento deste “encontro” com as comunidades cristã da ouvidoria dos Fenais de Vera Cruz, que hoje participaram na primeira celebração interparoquial desta ouvidoria, o prelado destacou o “diálogo, a união e o amor” como condições essenciais para a evangelização.
“Nós não conseguimos impor nada, comunicar nada, se não houver diálogo”, afirmou, lembrando que “o Evangelho transmite-se em contacto e em proximidade” e “ só assim o poderemos transmitir”.
Na véspera do Dia Mundial das Missões, que se assinala pela centésima vez, e já com a liturgia própria do domingo, o bispo de Angra recordou que a responsabilidade missionária não pertence apenas àqueles que partem para terras distantes, mas a todos os batizados.
“Somos convidados a pedir e rezar pelos missionários, mas todos temos de nos sentir missionários”, afirmou, desafiando os cristãos a viverem a sua fé na família, na Igreja e na sociedade.
A unidade e a comunhão foram igualmente apontadas como prioridades para as comunidades cristãs. Perante os conflitos e as polarizações que marcam a sociedade, D. Armando Esteves Domingues pediu que as divisões não se instalem na vida das paróquias, exortando os fiéis a serem “testemunhas da unidade do Reino”.
O prelado lembrou ainda que cada pessoa, criada à imagem de Deus, recebeu talentos e capacidades que devem ser colocados ao serviço dos outros.
“As forças e os talentos são dons de Deus e, por isso, devemos devolver a Deus o que Ele nos deu em serviço aos irmãos”, afirmou.
A celebração ficou também marcada pela instituição de oito Ministros Extraordinários da Comunhão, a quem foi confiada a missão de levar a Eucaristia, em particular, às pessoas doentes e àquelas que não podem participar presencialmente na celebração.
D. Armando Esteves Domingues alertou para a necessidade de reforçar a proximidade da Igreja aos mais frágeis, lembrando que esta dimensão faz parte da sua vocação.
“Não deixar para as instituições sociais o que nos compete a nós”, pediu, desafiando as comunidades a estarem atentas às necessidades dos vizinhos e das pessoas que vivem perto de si.
O bispo de Angra salientou, contudo, que esta missão exige discrição e respeito pela intimidade das pessoas visitadas e das suas famílias.
“Quem ouve e vive o Evangelho tem de se fazer próximo”, afirmou, apelando a uma caridade concreta, vivida com amor e respeito.
No final da homilia, o prelado manifestou confiança na continuidade do trabalho pastoral depois destes dias de visita.
“Eu vou tranquilo porque ficam muitos discípulos depois desta visita pastoral”, afirmou.
“Hoje ficamos todos um pouco melhores… Se isso acontecer, posso sair descansado”, acrescentou, colocando o acento na responsabilidade de cada cristão em dar continuidade ao caminho percorrido.
A Igreja precisa de vocês
A manhã de sábado foi dedicada ao encontro com os crismandos da ouvidoria (95), num momento de diálogo em que o bispo de Angra respondeu a várias perguntas dos jovens sobre a fé, a oração, o sacramento do Crisma e a participação na vida da Igreja.
Durante a conversa, explicou que um crismando é alguém disponível para continuar a missão de seguir Cristo, sublinhando que o compromisso assumido no Crisma deve ser feito em absoluta liberdade.
“O Espírito Santo não cai sobre pedras”, afirmou, destacando a importância de uma adesão consciente e pessoal à fé.
O prelado desafiou os jovens a valorizarem a amizade, a não desistirem da oração e a afastarem-se daquilo que sabem que lhes faz mal. Recordou ainda que as dificuldades podem contribuir para o crescimento pessoal e espiritual e que aprender a amar é uma forma de transformar os ambientes em que vivem.
“A Igreja precisa de vocês”, afirmou repetidas vezes, defendendo a importância dos grupos de jovens para que ninguém faça este caminho sozinho. Além de contribuírem para o crescimento pessoal dos seus membros, estes grupos podem trazer um novo dinamismo às comunidades.
D. Armando Esteves Domingues manifestou, por isso, o desejo de que todas as paróquias pudessem contar com um grupo de jovens.
Questionado sobre o que diria a um jovem afastado da Igreja, o bispo respondeu que não o julgaria, mas lhe diria: “Estou aqui para caminhar convosco”. Defendeu uma Igreja que saiba escutar, acolher e partilhar, lembrando que a falta de participação não significa necessariamente que alguém esteja definitivamente afastado.
A visita pastoral à Ouvidoria dos Fenais de Vera Cruz, cuja última edição tinha ocorrido em 2019, passou pelas comunidades de Salga, Fenais da Ajuda, Ribeira Funda, Lomba da Maia, Maia, Lombinha da Maia, São Brás e Porto Formoso.






