Papa convoca católicos à construção de “nação renovada” a partir das raízes cristãs do país

O Papa presidiu este sábado em Paris, a uma Eucaristia ao ar livre na Praça da Concórdia, perante centenas de milhares de pessoas, desafiando os católicos franceses a construir uma “nação renovada” a partir das suas raízes cristãs.
“Aspirai a redescobrir um horizonte cheio de luz, a construir uma nação renovada a partir das suas raízes regadas pela fé. Não guardeis a fé em Jesus Cristo só para vós mesmos, mas deixai-a transbordar para saciar e preencher as pessoas que encontrardes”, pediu, na homilia da celebração que decorreu num local histórico da capital francesa.
Cerca de 800 mil pessoas preencheram os espaços destinados aos participantes na Missa, ao longo de vários quilómetros, nos Campos Elísios, acompanhando a celebração com a ajuda de ecrãs gigantes.
Leão XVI chegou ao local, desde a nunciatura, em veículo aberto, sendo saudado pela multidão.
“Irmãos e irmãs, é preciso reconhecer que nada, neste mundo, consegue satisfazer-nos em plenitude. Quando pensamos que conseguimos concluir, finalmente, o nosso trabalho e ver recompensados os nossos esforços, reaparece muitas vezes um vazio interior ainda mais profundo”, assinalou o Papa, na homilia da Missa votiva da Virgem Maria.
“Não se trata tanto de uma sede material, mas antes de uma sede de sentido, de verdade e de realização que habita no coração de cada um. Jesus responde a este profundo desejo de relação, de comunhão com Deus, no qual reside a plenitude da vida para sempre.”
No adeus do Papa à capital francesa, onde chegou na sexta-feira, milhares de pessoas começaram a concentrar-se, desde o início da manhã junto a vários pontos de acesso ao recinto, superando depois o total de participantes previsto pela organização.
“Que a minha presença entre vós fortaleça a vossa fé, encorajando-vos a irradiar e a transmitir incessantemente a vida, a paz e o amor do nosso amado Senhor Jesus Cristo”, desejou Leão XIV.
Perante a multidão, o Papa destacou que “Jesus revela o amor incondicional de Deus” por cada um.
“Para Ele, nenhum de nós é um simples número no bilhete de identidade ou um código de identificação, mas uma pessoa, única e insubstituível”, sublinhou.
A reflexão alertou contra as “satisfações imediatas” e “tantos pequenos ídolos que prometem mundos e fundos”, sublinhando que apenas Deus pode saciar a sede de sentido e verdade do ser humano.
Evocando a “longa e bela história” cristã em França, o Papa invocou o exemplo dos primeiros mártires gauleses e de figuras como Martinho de Tours, Vicente de Paulo e Federico Ozanam.
“Ainda hoje, na nossa sociedade, nas nossas paróquias e nas nossas diversas atividades, são inúmeros aqueles que continuam a empenhar-se em prol da vida, da família, da verdade, da paz, da fraternidade e da justiça.”
A intervenção terminou com uma palavra específica de alento às famílias, aos jovens, aos novos católicos e aos que se preparam para receber o Batismo.
“Que o dom do Espírito Santo vos faça testemunhas, prontas a difundir à vossa volta a civilização do amor”, desejou.
Após a Comunhão, o arcebispo de Paris dirigiu-se ao pontífice para exprimir a gratidão da Igreja local pelas “horas inesquecíveis” vividas desde sexta-feira, destacando o trabalho dos 12 mil voluntários mobilizados para o evento.
“Pela sua presença e pela sua palavra, os crentes sentem-se encorajados na missão de anunciar o Evangelho, e os homens e mulheres de boa vontade que não partilham a fé católica podem sentir-se escutados, compreendidos, amados e tranquilizados nos caminhos das suas vidas”, referiu D. Laurent Ulrich.
A Arquidiocese de Paris ofereceu a Leão XIV uma cópia do óculo central da Catedral de Notre-Dame (representando a Virgem Maria), reproduzida a partir de fotografias após o original ter sido destruído no incêndio de 2019.

Papa reza pelo fim da guerra, na gruta de Lourdes
Ao fim do dia já em Lourdes, o Papa apelou à rejeição da guerra e à defesa dos direitos humanos, numa oração proferida na Gruta das Aparições de Massabielle.
“Que [os governantes] façam ouvir a sua voz para promover a defesa dos direitos humanos fundamentais, bem como a paz no mundo, rejeitando para sempre as lógicas da guerra”, exortou Leão XIV, na sua primeira intervenção no santuário mariano francês.
O pontífice fez uma referência especial à França, para a qual pediu “o dom da concórdia fraterna”.
“Que construa uma sociedade harmoniosa, banindo toda a violência e todo o ódio, permitindo a cada um trabalhar, constituir a própria família e viver até ao fim com tranquilidade e serenidade”, prosseguiu.
A prece incluiu uma intercessão específica pelas “pessoas doentes e sofredoras”, evocando todos os peregrinos que rumam ao santuário mariano para “buscar força e cura”.
Leão XIV rezou para que os católicos em França sejam capazes de “indicar, sobretudo aos mais jovens, o caminho luminoso do Evangelho para edificarem a sociedade justa e fraterna a que aspiram”.
Após tocar na rocha e beber água da fonte, o Papa depositou uma Rosa de Ouro junto à imagem de Nossa Senhora, cumprindo um gesto antiquíssimo e exclusivo do papado para sublinhar a devoção mariana.
A tradição desta distinção está documentada desde o pontificado de Leão IX (1049-1054) mas acredita-se remontar aos finais do século VI ou princípios do século VII.
O avião que transportava o Papa e a sua comitiva aterrou no sul de França pouco depois das 19h00 locais (menos uma em Lisboa), deslocando-se depois de automóvel fechado até à antiga ponte Pomès ou ponte Peyramale, que foi totalmente reconstruída e reaberta em março passado.
O município local batizou-a oficialmente como ‘Ponte Leão XIV’ no dia 22 de setembro e o pontífice descerrou hoje uma placa comemorativa, antes de seguir em papamóvel até ao santuário, onde foi acolhido pelo bispo de Tarbes e Lourdes, D. Jean-Marc Micas.
O Santuário de Lourdes assumiu-se como um dos principais centros de peregrinação mundial desde as aparições marianas a Santa Bernadette Soubirous em 1858.
A primeira viagem de Leão XIV à França, iniciada esta sexta-feira em Paris, decorre até segunda-feira e prevê ainda uma passagem pela cidade de Metz.
(Com Ecclesia e Vatican media)


